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Feliz 2011!
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Ana Karina
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
Dia das crianças: Contos de fadas
Nesse dia das crianças, quero convidá-los a voltar aos dias gloriosos do mundo de contos de fadas que nossas mães, avós contavam antes de dormir. Se você não teve essa experiência, darei a oportunidade de entrar nesse mundo que traz consigo grandes verdades, e faz termos a percepção de um fim, ou melhor, de um começo de questionamentos, onde temos uma grande interrogação: Qual é a moral da história? A menina já estava com os pés roxos de frio. Tinha um pacotinho de fósforos na mão e outro no avental velho. Naquele dia não tinha conseguido vender nada e estava sem um tostão. Com frio e com fome, ela andava pelas ruas morrendo de medo. A neve caía no cabelo cacheado, mas ela não podia pensar nem no cabelo nem no frio. As casas estavam iluminadas e havia por toda parte um cheirinho gostoso de assado de ano novo. Era nisso que ela pensava.
Num cantinho entre duas casas, ela se encolheu toda, mas continuava sentindo muito frio. Voltar para casa, nem pensar: sem dinheiro, sem ter vendido nada, era certo o castigo do pai. Além do mais, a casa deles também era muito fria, sem forro e com o telhado cheio de furos e emendas, por onde o vento entrava assobiando.
Com as mãos geladas, pensou em acender um fósforo. Conseguiu. A chama pequenina parecia uma vela na concha da mão. A menina se imaginou diante de uma lareira enorme com o fogo esquentando tudo e ela também. Mas logo a chama apagou e a lareira sumiu. Ela só ficou com o fósforo queimando na mão.
Acendeu outro que, brilhando, fez a parede ficar transparente. Ela viu a casa por dentro: a mesa posta, a toalha branca, a louça linda. O assado, o recheio, as frutas. Não é que o assado, com o garfo e faca espetados, pulou do prato e veio correndo até onde ela estava?Mas o fósforo apagou e ela só viu a parede grossa e húmida.
Acendeu mais um fósforo e se viu junto de uma belíssima árvore de Natal. Maior do que uma que tinha visto antes. Velinhas e figuras coloridas enchiam os galhos verdes. A menina esticou o braço e… o fósforo apagou. Mas as velinhas começaram a subir, a subir e ela viu que eram estrelas. Uma virou estrela cadente e riscou o céu.
-Alguém deve ter morrido. A avó – única pessoa que tinha gostado dela de verdade e que já tinha morrido – sempre dizia: “Quando uma estrela caí, é sinal de que uma alma subiu para o céu”.
A menina riscou mais um fósforo e, no meio do clarão, viu a avó tão boa e tão carinhosa, contente como nunca.
-Vovó, me leva embora! Sei que você não vai mais estar aqui quando o fósforo apagar. Você vai desaparecer como a lareira, o assado e a árvore de Natal.
E foi acendendo os outros fósforos para que a avó não sumisse. Foi tanta luz que parecia dia. E a avó ali, tão bonita, tão bonita. Pegou a menina no colo e voou com ela para onde não fazia frio e não havia fome nem dor. Foram para junto de Deus.
De manhãzinha, as pessoas viram no canto entre duas casas uma menina corada e sorrindo. Estava morta. Tinha morrido de frio na última noite do ano. Nas mãos, uma caixa de fósforos queimados.
-Ela tentou se esquentar, coitadinha.
Ninguém podia adivinhar tudo o que ela tinha visto, o brilho, a avó, as alegrias de um ano novo.
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Ana Karina
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sábado, 15 de maio de 2010
Olhar de criança
Quem é aquela menina pequenina ali na praça?
Um rosto bem ao longe.
Girando como se estivesse em outro mundo.
Tirou os seus sapatos, correu pela grama descalça, vendo o horizonte infinitas possibilidades.
De repente, ela para e observa ao seu redor.
Com pouca idade, mas com tamanha sensibilidade perante a atenção ao mundo, observava os olhos daqueles que circulavam e viu que ali atrás daqueles olhos, tinha uma máscara de alguém que deseja ser o que não é.
E o que busca ser, nada mais o que é.
A criança sorri, mas ninguém repara, pois correm pela praça num ritmo frenético, olhando as horas sem reparar ao seu redor.
Não observam o infinito.
Não reparam em nada.
Com seus fones de ouvido,
Num mundo paralelo.
Imaginam um mundo perfeito.
Sem reparar que ele já é perfeito.
Correm uns para um sentido, outros sem sentido.
Todos com suas roupas de marca,
Ipod,
MP4, MP5, 6 ....
Buscam no dinheiro a saída.
Buscam um amor perfeito.
Pessoas perfeitas.
Corpos perfeitos.
Abrem todas as portas para achar uma saída.
Simplesmente não acham.
Se sentem sufocadas por não achar uma verdade.
Buscam o que não têm dentro delas.
Não somos só crenças.
Nem aparência.
Falando em aparência.
Uma velhinha passando, viu aquela menina pequenina descalça, olhando pasma o horizonte. Disse a ela:
- Linda criança, toma esse trocado.
Passou a mão na cabecinha da pequenina menina e saiu dali sorridente como se estivesse feito um ato de caridade.
A criança sem entender nada, viu que a atenção e a bondade para eles se resumia em dinheiro.
Imagem: http://cleidescully.files.wordpress.com/2009/05/watercan.jpg
Pintura de Renoir. Ele foi contratado para pintar crianças de várias familias abastadas, por volta da década de 70 do Séc. XIX, devido à sua sensibilidade para criar tais obras.
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Ana Karina
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16:20
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Senhor das Ilusões
Um belo dia, ele acordou pronto e acreditou que essa seria sua chance.Uma nova oportunidade, ele pensou.
Até porque ele já teve grandes chances, mas desisitu.
Quando ele pensou que se libertaria, o medo o aprisionou.
Mas, hoje era diferente, ele estava pronto para dar um basta em tudo.
Hoje ele iria dizer que a amava.
Ele jurava que nunca teve uma vida mais alegre, como quando estava junto dela, ele tinha esperança em revê-la.
Ele tinha tanta esperança que só esperou, mas hoje era o dia e ele decidiu sair. Abriu a porta, com toda vontade, foi quando um vento frio foi de encontro ao seu corpo.
Era inverno, ele esqueceu que nessa época nevava.
Ele olhou aquela neve em todo horizonte, e pensou:
Justo hoje!! bem que podia ser sol, eu que acordei todo disposto para mudar tudo.
De repente, aquela força, aquela vontade foi embora como uma onda que surgiu bruscamente e depois se uniu com o mar e perdeu sua identidade.
Ele até acreditou, por um instante que sairia mesmo assim, pegaria a estrada e declararia o seu sincero amor, mas ele queria que fosse primavera e isso bastava para ele desistir.
Ele acordava todos os dias, acreditava que um dia seria primavera, ele a encontraria e diria o quanto a amava, confiava que o seu dia iria chegar.
Mas, o que ele não percebia era que o tempo passou, isso era apenas um sonho que ele tinha por muitos anos. Foi quando ele ouviu:
- Senhor Lúcio, hora do café da manhã.
Ele olhou e viu uma mulher de branco. Ela era a enfermeira do asilo que ele morava a alguns anos.
Ela estava com uma garota dessa vez, era a nova estagiária, a enfermeira com toda sua sensibilidade, falou para aquele senhor:
-Senhor Lúcio, estamos na primavera, vamos dar um passeio depois do café?
A enfermeira disse bem baixinho para a estagiária:
-Ele gosta da primavera porque ele diz que irá voltar a ver o seu grande amor e dirá que a ama. Mas, eu acho que isso nunca aconteceu porque ele não têm ninguém. Nem filhos, nem esposa.
Isso era uma grande verdade, ele não tinha ninguém, mas o que elas não sabiam é que ele foi atrás do seu amor, mas ela havia morrido antes da primavera. Ela morrera no inverno, sendo que ele desistiu daquela chance, naquele dia ...
Anos se passaram e ele no seu silêncio, vivia num profundo inverno, esperava um dia a primavera chegar. Isso tudo, porque ele sempre achou melhor, sonhar mais ao invés de viver.
Imagem: http://farm3.static.flickr.com/2252/2399000980_4408eaf2aa.jpg
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Ana Karina
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13:26
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domingo, 7 de março de 2010
Carta de amizade
Eu tinha que dizer algo, mesmo estando tão longe eu precisava dizer.Olhei pela janela, ao som da chuva pensei em te escrever. Fui até a escrivaninha, peguei papel e caneta.
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Ana Karina
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sábado, 2 de janeiro de 2010
Feliz ano novo!
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Ana Karina
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18:13
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sábado, 21 de novembro de 2009
A busca
Por favor, me espere estou indo dizer o quanto você é adorável. Eu não sei mais o que fazer, eu ando para traz e tento voltar ao início.
O quanto eu fui injusto em não mostrar a você a beleza das estrelas.
Eu sigo você aonde estiver.
Eu irei buscá-la, porque o meu amor é puro. Mas, as minhas incertezas fizeram com que eu te perdesse.
Eu sou melhor com números e digitos, mas ninguém disse que não era fácil amar.
Eu sempre busquei aprender sobre ciência e progresso para salvar a humanidade e alimentar a minha vaidade. Mas, nunca me esforcei em aprender sobre o amor universal.
Agora estou eu aqui sem saber para aonde ir, sem saber te explicar o quanto é difícil reconhecer que eu amo você.
Por favor, me espere. Eu vou te buscar, mas antes eu preciso me encontrar. Essa é a única forma de solucionar todas essas questões e parar de andar em círculos.
Deixa eu me achar, assim eu te acho. Seja aonde for, eu acho você. Eu falo isso, porque ninguém me disse o quanto era difícil amar.
Eu sei agora o que é andar para traz e tentar voltar até ao início. É uma pena nos separarmos, mas eu preciso buscar o sentido de tudo.
A busca do sentido de nós mesmos, eu persigo isso para poder achar você.
Eu grito no escuro se for preciso até encontrá-la. Me espere, porque eu acharei você. Você está dentro de mim.
A única coisa que eu quero é deitar contigo na grama e olhar as estrelas, olhar para o infinito.
Assim eu volto para o início e começaremos tudo novamente.
Mas, dessa vez, meu amor, eu prometo que será diferente porque eu me encontrei e principalmente, eu achei você em mim.
Imagem:http://www.evanog.com/press/wp-content/uploads/2007/08/chuva_estrelas.jpg
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Ana Karina
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